Dia do Advogado coloca em
evidência uma mudança no mercado: além do domínio técnico, escritórios precisam
desenvolver gestão, posicionamento, tecnologia e visão estratégica
A advocacia brasileira passa por uma transformação que vai além das mudanças legislativas e processuais. Para muitos profissionais, o desafio deixou de ser apenas dominar o Direito e passou a envolver também a capacidade de administrar um escritório, organizar processos, posicionar a marca, desenvolver equipes e construir uma trajetória sustentável.
A discussão ganha força no Paraná justamente no Dia do Advogado, celebrado em 11 de agosto. Na mesma data, a OAB Paraná inicia a primeira edição da Incubadora de Escritórios de Advocacia, programa desenvolvido para estimular o empreendedorismo, a profissionalização da gestão e o crescimento sustentável dos negócios jurídicos. A iniciativa é realizada pela OAB/PR em parceria com o Sebrae/PR.
A programação da Incubadora inclui temas como modelagem de negócios, posicionamento de mercado, gestão financeira, precificação, marketing jurídico, gestão estratégica, liderança, tecnologia e planejamento tributário. A proposta evidencia uma questão cada vez mais presente na rotina dos profissionais: ser um bom advogado e administrar bem um escritório são competências diferentes — e complementares.
1. Gestão deixou de ser uma atividade secundária
Durante muito tempo, a gestão de escritórios esteve associada principalmente a questões administrativas. Hoje, ela interfere diretamente na capacidade de crescimento e sustentabilidade de uma banca.
Controle financeiro, organização de processos internos, definição de responsabilidades, acompanhamento de indicadores e planejamento são elementos que ajudam o escritório a tomar decisões com maior previsibilidade.
A própria criação de uma jornada específica de formação em gestão pela OAB/PR e pelo Sebrae/PR mostra como esse tema ganhou espaço dentro do ecossistema jurídico paranaense.
2. Posicionamento é diferente de simplesmente escolher uma área do Direito
Outro desafio está em definir como o escritório deseja ser reconhecido.
Ter uma área de atuação não significa, necessariamente, possuir um posicionamento claro. O profissional precisa compreender quais conhecimentos possui, quais públicos atende, quais problemas jurídicos estão relacionados à sua atuação e de que maneira pretende construir sua reputação profissional.
Esse processo também exige coerência entre conhecimento técnico, comunicação e experiência oferecida ao público.
3. Finanças e precificação precisam deixar de ser decisões intuitivas
A sustentabilidade de um escritório também passa pela capacidade de compreender seus números.
Custos fixos, estrutura, fluxo de caixa, formação de preços e planejamento financeiro fazem parte da gestão de qualquer atividade profissional.
4. Tecnologia pode aumentar eficiência — sem substituir o advogado
Automação de tarefas, ferramentas de organização, gestão de documentos e recursos de inteligência artificial podem contribuir para reduzir atividades repetitivas e melhorar processos internos.
Mas tecnologia não elimina a responsabilidade profissional. O próprio Provimento nº 205/2021 da OAB permite o uso de ferramentas tecnológicas para tornar a atuação mais eficiente, desde que não sejam suprimidos a imagem, o poder decisório e as responsabilidades do profissional.
5. Marketing jurídico exige estratégia — e ética
A presença digital também passou a fazer parte da construção de autoridade profissional.
O Provimento nº 205/2021 permite o marketing jurídico, desde que respeitados os princípios éticos da advocacia. A norma define o marketing de conteúdo jurídico como uma estratégia voltada à informação do público e à consolidação profissional do advogado ou escritório.
Isso abre espaço para produção de artigos, vídeos, palestras, redes sociais e outros formatos de conteúdo jurídico.
Mas existe uma diferença fundamental entre informar e tentar induzir alguém à contratação.
A publicidade profissional deve manter caráter informativo, discrição e sobriedade, sem captação indevida de clientela ou mercantilização da profissão. O provimento também veda, entre outras práticas, promessas de resultados, comparação e expressões de autoengrandecimento.
Por isso, para um escritório que deseja construir presença digital, autoridade pode ser mais sustentável do que publicidade agressiva.
6. Liderança se torna
essencial quando o escritório cresce
Quando o advogado passa a trabalhar com outros profissionais, estagiários, equipes administrativas ou outros sócios, competências de liderança e delegação ganham importância.
Não basta concentrar conhecimento em uma única pessoa. Um escritório que pretende crescer precisa desenvolver processos capazes de distribuir responsabilidades e manter qualidade na entrega.
7. Crescimento sustentável exige planejamento
Aumentar a quantidade de clientes, contratar pessoas ou ampliar a estrutura não significa necessariamente construir um escritório mais saudável.
Crescimento sustentável envolve compreender onde o escritório está, onde pretende chegar e quais recursos serão necessários para alcançar esse objetivo.
É justamente essa perspectiva que aparece na proposta da Incubadora da OAB/PR: a iniciativa pretende estimular uma cultura empreendedora, profissionalizar a gestão e contribuir para a sustentabilidade e competitividade da advocacia paranaense.
Uma nova visão sobre a advocacia

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